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Como o Lima chegou a 25.000 usuários sem orçamento de marketing

· 7 min de leitura

Os números do Lima aparecem em toda conversa: 25.000 usuários ativos, orçamento zero de marketing, sem agência de PR, sem deals com influenciadores, sem destaque na App Store. As pessoas perguntam como. A resposta honesta é build in public, mas começou num lugar inesperado.

Começou como uma ferramenta que eu precisava de verdade

Eu construí o Lima porque ficava baixando quatro apps diferentes para rastrear hábitos, dinheiro, calendário e sessões de foco, e toda semana eu esquecia de abrir pelo menos um. O trabalho mental de ficar alternando entre eles era tão irritante quanto os problemas que eles eram pra resolver.

Essa origem importa para a história de distribuição. Quando você constrói algo porque precisa, você já sabe exatamente quais comunidades têm o mesmo problema. Eu não estava tentando adivinhar um mercado. Eu já estava dentro dele.

Onde de fato começou: a comunidade Spring Boot

A primeira tração real não veio de um fórum de produtividade. Veio da comunidade Spring Boot. O backend do Lima roda em Spring Boot, e eu estava postando atualizações técnicas lá: como estruturei a API, o que eu estava cacheando e por quê, problemas específicos que encontrei e como resolvi. Compartilhamento técnico padrão.

As pessoas da comunidade foram ajudando. Respondiam perguntas, sugeriam abordagens, e então perguntavam: que app é esse que você está construindo? Foi aí que percebi que o build in public não era só sobre mostrar o produto. Era sobre construir na frente de pessoas que estavam curiosas com o problema. A comunidade se formou em torno do processo técnico, não em torno do lançamento.

A partir daí comecei a postar nas comunidades de produtividade também. Não anúncios, builds reais. “Acabei de lançar a grade de 84 dias de hábitos. Aqui é como ficou, aqui está o que quebrou na primeira versão, aqui está o que eu mudaria.” Screenshots de dados reais. Números reais. As coisas que normalmente ficam internas.

A cultura do Reddit em torno disso é diferente do Twitter ou do LinkedIn. As pessoas em r/productivity ou r/androidapps estão ativamente procurando soluções para problemas reais. Se o que você construiu realmente resolve, elas dizem, baixam e voltam. Se não resolve, elas também dizem, e esse feedback é mais útil do que qualquer focus group.

O bot do WhatsApp mudou a trajetória

O maior pico veio de um post sobre o bot do WhatsApp do Lima. Você manda um áudio ou uma foto do extrato bancário. O Lima lê e lança as transações automaticamente. Sem entrada manual.

A reação foi imediata. Não porque era tecnicamente impressionante (não é particularmente difícil), mas porque resolvia uma coisa muito específica e muito irritante que as pessoas conseguiam imaginar imediatamente. “Odeio digitar cada gasto manualmente. Isso resolveria exatamente isso.” Posts assim viajam. São salvos, compartilhados em grupos, linkados em guias de produtividade.

Não precisei ser esperto com distribuição. Só precisei encontrar as comunidades onde as pessoas já reclamavam do problema exato e mostrar algo que funcionava.

O que não funcionou

Postar no Hacker News: o público é de engenheiros que já têm o setup de produtividade estabelecido e não estão procurando um novo app. É uma ótima comunidade mas não é o público certo para um app de organização pessoal.

Anúncios de lançamento polidos: tentei um post de lançamento mais estruturado uma vez e teve desempenho inferior. Os posts casuais “aqui está o que construí essa semana” consistentemente foram melhor. Autenticidade não é uma tática de marketing. É a única coisa que funciona em comunidades que já viram mil lançamentos de produto.

Pedir upvotes ou engajamento: as comunidades têm bom radar de spam. No momento em que um post parece uma promoção, as pessoas ignoram.

O número de 25k

Os 25.000 usuários são pessoas que abrem o Lima ativamente. Não total de instalações, não contas criadas, não downloads. Usuários ativos. Esse número cresceu devagar e depois mais rápido conforme o boca a boca foi compondo. Alguns meses foram estagnados. Alguns foram o dobro do anterior. Não teve um pico de lançamento que definiu a base. Só melhoria consistente de produto e mostrar o trabalho consistentemente.

Build in public funciona se você está de fato construindo e de fato em público. Postar consistentemente sobre o que mudou, o que quebrou, o que os usuários pediram, no que você está pensando. A comunidade que se forma em torno disso é pequena mas real, e usuários reais contam para outros usuários reais.

A história do Lima é chata da melhor forma: construa algo que você precisa, encontre pessoas com o mesmo problema, mostre seu trabalho, repita. Sem aquisição paga envolvida.


O codebase Flutter que roda o Lima no iOS, Android e web, e por que escolhemos ele em vez do React Native. Também: o bug de cache ETag e o bug do nono dígito WhatsApp que encontramos construindo isso.